Outras Noites
Gaudeat illa domus, quando bonus est ibi promus

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Ego
Gaudium est miseris socios habere poenarum






Underworld














sexta-feira, janeiro 07, 2005


De tanto ensaiar um pouco de verdade nas próprias palavras, acho que elas devidamente me traíram e me abandonaram, tornando o real exercício da honestidade um mero desejo pouco (ou nada) realizável.
Seguimos com nossas mentiras porque elas são as mais eficazes ferramentas de sobrevivência. Eu quero dar um basta nisso, mas querer está longe de ser poder.
Fica difícil, por exemplo, quando também você é alvo de suas próprias mentiras.
Passa o tempo e eu ignoro minha própria insatisfação. Diabos, quem é feliz o tempo todo? Quem ama cada centímetro do próprio corpo?
Fico entre aceitar quem sou, como sou, e buscar um eu melhor. De fato, sei que uma versão mais light, mais ágil de mim mesmo é absolutamente possível e é o que eu desejo. O foda é a falta de determinação na hora de definir e gerenciar o meu comportamento para alcançar tal objetivo.
Malditos quilos a mais...
O mundo é carne, com certeza. Carne úmida e brilhante.
Para onde se mire o olho, lá está a carne, vibrante, gritando para seus hormônios o que seus neurônios fazem questão de renegar, ignorar, sublimar.
Pernas, pés, saltos altos elevando o teor de erotismo que fervilha no canto úmido da minha mente, atrás do armário de regras sociais invioláveis. É um canto perigoso,abandonado na maioria das mentes humanas, mas é um lugar que visito com mais constância do que permitiria o olhar dos bons costumes.
Sexo.
Desejo incontrolável de sexo.
No meio desse calor infernal de início de ano, enfrentando meia dúzia de inconformidades na vida particular, na profissional e na acadêmica, meus olhos devoram e remoem cada par de pernas, cada par de saltos, cada decote que passa por mim. Cada vislumbre de pele é um convite à animalidade inerente.
Eu preciso de sexo.
Fodam-se as boas maneiras!
Fantasias idiotas para disfarçar o que você, eu e todo mundo pensa enquanto come o almoço no restaurante da esquina. Sexo. É a maior ferramenta da sociabilidade humana e, por isso mesmo, nossa maior falha estrutural, nosso eterno calcanhar de Aquiles.
É a insatisfação, sabe?
Você acorda cedo, com vontade de dormir.
Vai trabalhar, com vontade de fazer qualquer outra coisa. Espera o tempo passar e ele se enrola nas complexidades do dia.
Dá o horário de seguir para a faculdade, mas o sono recobre nossos olhos novamente.
Vem a hora de dormir e o espírito (que diabos é um espírito?) se inquieta, se debate, insatisfeito com a limitação que o tempo (e o corpo?) impõe.
Insatisfação.
Constantemente.
O tempo todo.
Martelando, destruindo, corroendo o cérebro teimoso que insiste, segundo a segundo, em pensar, em supor, em sentir.
A quantidade de sentimentos extrapolando a capacidade de lidar com eles.
O alívio fácil, rápido e vazio da auto manipulação, num misto de vergonha e deboche.
Gozando, gozando da vida, gozando na vida, vomitando esperma sobre a própria incompetência, a ineficácia de um tempo falido, datado e estéril.
O bom humor de antes, transformado em ácido puro de plena ironia, de sarcasmo contundente, de masoquismo infantil.
Sabe aquele papo de solitários numa multidão? É exatamente isso, mas é pior. Porque o desejo entalado na garganta arranha e coça os dedos ávidos pela umidade do sexo oposto. A língua inflamada, enlouquecida pelo desejo de explorar a boca alheia, o decote suado da estranha ao lado. O desejo de enlouquecer, grunhir como aquele ancestral esquecido nas teorias Darwinianas, arrancar a roupa e as moralidades impostas e sentir o calor insuportável e viciante da mulher que acaba de entrar no vagão, perdida em seus próprios dilemas e desejos.
Ou nada disso.
Talvez, simplesmente deitar no colo da pessoa amada. Sentir seu cheiro, seu gosto, seu carinho.
Por que as coisas não podem ser simples?
Será que as coisas têm maior importância para mim do que de fato deveriam ter?
Perdido nos meus devaneios eróticos, na minha insatisfação com a qualidade de vida, com a própria rotina diária, será que sou eu quem estou fora do esquema ou simplesmente não há esquema viável?
Por um momento, por um único e precioso momento, toda a minha auto confiança desmorona e tudo o que eu desejo é ouvir meu nome dito com tamanho desejo e admiração que não seja possível recusar o mergulho na vida dessa outra pessoa.
Quem pode me culpar?

Delirado e vociferado por Karl Ruprect Kroenen, 4:32:00 PM .

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quinta-feira, janeiro 06, 2005


Talvez a mentira seja o caminho mais fácil e o menos doloroso.
Talvez seja o modo pelo qual as coisas devem mesmo ser realizadas.
Talvez.
É fácil notar como mentir é simples, é funcional, é menos constrangedor.
Eu, você, todos nós mentimos. E somos hipócritas.
Eu pretendo ser absolutamente honesto aqui. Uma forma mais suave da nossa hipocrisia, uma vez que estou protegido dos efeitos dessas verdades.
Ainda assim, é uma tentativa de respirar...

Delirado e vociferado por Karl Ruprect Kroenen, 11:06:00 PM .

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