Outras Noites
Gaudeat illa domus, quando bonus est ibi promus

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Ego
Gaudium est miseris socios habere poenarum






Underworld














terça-feira, abril 12, 2005


E ela se fodeu. Mesmo, eu acho, dessa vez.
Eu ficava chateado por ela. De verdade. Em parte porque eu tenho bom coração e acho que o sofrimento alheio é muito triste. Mas acho mesmo que o que me fodia o cérebro é que eu queria estar comendo ela. Ou já ter comido, tanto faz. Fato é: por ter visto primeiro, aqueles peitos e pernas deveriam ter sido meus.
Beijei aquela boca, mesmo não podendo moralmente. Errados estavam os dois. Isso lá me importa agora?
Eu era tarado por ela. Aqueles saltos, as pernas, os peitos empinados e atrevidos, a atitude de menina sem vergonha.
Ah, lógico que éramos amigos. E ainda somos, aliás.
Mas a vontade de comer (sim, estou sendo o mais explícito possível. E foda-se) prevalecia sobre todas as coisas.
Fui perdendo a vontade quando essa história toda começou.
Aquele idiota, um imbecil, um canalha. Não merecia aquela menina.
(bem, e eu sou o que?)
Sou gentil, ao menos.
De besta, entrei numas de defender quem não precisava de ajuda. Ou precisava, mas não queria.
Será que nessa ocasião foi meu coração quem se sentiu apertado no peito ou foi meu pinto quem se sentiu apertado nas calças?
Acho que eu nunca vou conseguir responder isso com absoluta certeza.
Queria mesmo, de verdade. Pelo menos uma vez.
Dor de cotovelo, claro, nunca neguei.
Agora?
Confesso que perdeu muito do encanto. Veja bem, só de imaginar que não há lugar ali aonde aquele panaca não tenha passado...
Eu avisei, avisei mil vezes, avisei demais. Tentei ajudar, tentei resolver, tentei proteger. Fui amigo de verdade. Amigo com pau, sim, não nego, mas amigo acima de tudo.
E ela se fodeu.
Todos os princípios morais gritam desesperadamente para que o que restou da minha fagulha de hombridade fique firme e eu me compadeça da amiga gostosa.
Sinto muito.
Não dá.
Seja por me sentir vingado pelo constrangimento que passei quando a defendi e ela covardemente deu para trás, mentindo e me colocando numa fria sem tamanho; seja por ter me preocupado com seu bem estar e ter me fodido por isso; seja por puro egoísmo, por sempre me sentir em segundo plano; seja porque eu nunca possuí aquilo que tanto desejei, cada centímetro do corpo dela, nem que fosse uma única vez.
Simplesmente não dá.
Não ligo, não ligo a mínima.
Eu avisei.
Foi porque quis.


A verdade é que ainda quero, ainda desejo, mesmo que seja só um pouco, pouco demais para eu assumir abertamente. Mas eu não gosto de restos e minha petulância e orgulho costumam vencer o tesão em certos casos.
Uma pena.
Que belo sorriso, que belo par de pernas, que seios fartos, desperdiçados com quem...
Com quem o que?
Com quem soube aproveitar, é evidente. Aproveitou sim, aproveitou muito, aproveitou tudo, usou como quis, fez de todas as formas que desejou, saciou-se completamente, transformando menina em prostituta particular. Gozou sem regras num mundo fetichista em que tudo e todos respondiam ao seu mau caratismo. Fez o que queria. Fez o que EU queria. O que QUALQUER UM queria.
Mas só uns poucos têm a coragem (e o egoísmo pleno) de fazer.
O que me deprime mais?
A maldade de seus atos ou a inveja de sua liberdade hipócrita?
Filho de uma puta, maldito velho rançoso e espertalhão.
Odeio a imoralidade do seu comportamento, espelho das fantasias da maioria de nós, presos nessa droga de sociedade regrada.
No final, tudo isso foi apenas deprimente e frustrante, muito frustrante.

Delirado e vociferado por Karl Ruprect Kroenen, 6:37:00 PM .

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