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Underworld
Bom, é bem isso mesmo.
Esse novo Papa vai dar em merda, mas é só o que um papa poderia representar, no final das contas.
O Conterrâneo é contra os homossexuais, contra as mulheres (ainda que não em todas as instâncias), é um tapado completo, vomitando conservadorismo.
Eu acho incrível como os católicos não aprendem com seus erros.
Não que o João Paulo II fosse grande merda. O cara era, pura e simplesmente, carismático e dono de um ar humilde. Nada de tão fantástico assim.
Mas como a igreja católica é uma instituição filosoficamente falida (como a maioria das religiões, aliás), nem esses pequenos dotes foram capazes de observar no sucessor do velhinho de nome engraçado (Voitila? Parceira do He-Man?).
Bem, o resultado não deve tardar. E é bem feito!
O problema vai ser observar tumores como a Universal continuarem crescendo, comendo os nacos de carne da sociedade que se desprenderem da goma fétida que a igreja católica se tornou.
Disse um xará meu, o Marx, que a religião é o ópio do homem.
Não só estava certo como acrescento: virou o crack dessa nossa humanidade subdesenvolvida, cega, burra e arrogante. Só resta esperar que o efeito devastador seja tão breve quanto o que a verdadeira pedra faz com um organismo vivo.
Bento XVI?
Prefiro o outro.
O Chico.
Fato: ela tinha um par de pernas espetacular. As mais gostosas que eu já provei, reconheço. E ela sabia como usá-las, como me torturar com elas.
Também, convenhamos, era isso ou nada. Na casa dos 30, com um gênio difícil, já não tinha seios firmes, uma bunda “que bunda?” e um rosto definitivamente não bonito. Ainda assim, tinha um charme sexy que me fisgava completamente.
Usava saltos todas as noites e é, com certeza, a grande incentivadora da liberação das minhas taras fetichistas. Lambia-a da cabeça aos pés (mais detidamente os últimos), noite após noite, mergulhado numa das melhores fases de minha vida sexual. Não estivesse tão apaixonado (perdidamente, perdidamente, perdidamente apaixonado, ainda que por um reflexo pálido da realidade, esculpido na minha mente de criança), teria me gabado de poder viver quatro fantasias sexuais ao mesmo tempo: transar todas as noites, com a vizinha, a professora, a mulher mais velha. Pacote completo em uma única mulher. Meus amigos ouviriam mortos de inveja.
Mas voltemos às pernas. Perfeitas. Amaciadas e perfumadas pelo creme Corpo-a-Corpo (o cheiro específico daquele creme ainda me destrói o autocontrole). Irresistíveis quando realçadas pelo salto alto roxo. Ou tantos outros, igualmente provocantes (desconfio que ela aprendeu a usar saltos antes mesmo de engatinhar...).
Não dá para esquecer o vestido cinza. Coladíssimo ao corpo, justo como nenhuma lei. Safada, cruel, usava-o sem calcinha por baixo. “É que fica marcando”, afirmava, provocante, sem vergonha nenhuma.
Até meu prato preferido, aprendi a gostar com ela (aliás, foi ela quem “nos apresentou”).
Confesso que penso muito pouco nela. Quando rompemos, sofri o diabo. Depois, tratava-se só de uma grande trepada juvenil.
O que eu amava, tão perdidamente, era a ilusão das quatro fantasias amarradas no meu cérebro infantil e dopado pelo sexo. Ela nunca foi o que eu achava que era.
Engraçado, perto do que eu acreditava/sonhava ao vê-la, é ela quem não passa de um pálido reflexo, um rascunho feito às pressas.
Hoje, ela não é mais do que um belo par de pernas.
Ou nem isso.
O tempo passou. E se ele já não era justo com ela naquele tempo, o que se dirá agora...
Carcomida pelo tempo e envenenada pelo próprio ego, fica difícil pintar um belo quadro.
Como estará agora?
Fico um tanto curioso, mas nem isso é em uma quantidade relevante.
Só duas pernas gostosas, a isso ela se reduziu.
E, talvez por maldade, talvez por vingança, talvez puramente por curiosidade, fico aqui pensando qual seria a expressão em seu rosto agora, sentada em minha frente, provando o meu prato preferido, só que agora feito pela atual. Que sabor teria a refeição, sentindo os anos lhe pesando? O gosto do prato superando qualquer um de seus dotes culinários? Sentir-se-ia superada em todos os níveis? E assim, superada, envelhecida, estaria mais humilde?
Curioso...
Talvez ela não seja apenas um par de pernas.
Talvez ela nem seja mais o par de pernas, não tenha mais nenhum traço da sensualidade física que me interessava.
Talvez ela seja apenas essa pequena e deprimente vontade, quase esquecida, de vindicação.
Quase não lembro dela. Mas o animal rancoroso, escondido no meio da selva de sinapses nervosas do meu cérebro, ainda guarda um pouco de vontade do seu sangue, farejando-o no ar. Um sentimento quase doentio de saborear a derrota que a própria vida se encarrega de lhe dar.
Pensando bem, não acho que eu deva lhe agradecer pelas noites tórridas de sexo reluzente; nem pela liberação de meus instintos primários e fantasias sexuais; muito menos pelo prato preferido.
Se eu tenho algo a lhe agradecer, é por sua atitude egocêntrica.
Alimentou, fortificou e deu forma ao meu quase irredutível amor próprio.
Mas, claro, as deliciosas pernas vieram bem a calhar...
